domingo, 24 de junho de 2018

DmC: Devil May Cry. Por que nós não gostamos.

Bom dia mortais.

"Ah Orpheus como é que você tá acordado durante o dia e não tá morrendo?". Estou trancado em casa.

Bem, recentemente Devil May Cry 5 foi anunciado e foi uma das melhores notícias que já tive em toda minha eternidade, afinal foram 10 anos desde DMC 4 e o jogo vai sair no ano que vem. Esse tempo todo poderia ter sido bem aproveitado, se não fosse por um incidente em 2010:

"Orpheus Orpheus, saiu um trailer de DMC 5, só que o Dante virou emo, tá com o cabelo preto".
Eu pensei "Cabelo preto? Ah não deve estar feio não". Eu simplesmente imaginei o Dante com o cabelo preto, como existe em alguns mods por aí. Mas, quando procurei o trailer na internet, me deparei com isto.



" O que, em nome de Deus, é isto?" Foi minha reação.

E seguiu-se o trailer onde vemos esse ser carinhosamente apelidado de "Donte" ou "Dino" matando alguns demônios que parecem bonecas de porcelana descascando.
Agora, a primeira coisa que eu não gostei, e imagino que os outros também não:


Dante punk, anarquista drogado.

 No trailer, só o víamos fumando um cigarro normal, mas a aparência dele era de alguém que só fuma cigarro? Pois é. Muitas pessoas não gostam de drogas e gostam menos ainda da glamourização das drogas. Sim, glamourização, porque não é de hoje que existem seres que acham que não apenas fumar maconha, mas usar quaisquer drogas é ser descolado, é estiloso e por isso o Dante fumando. Muitos não gostam, eu detesto e se você já estiver pensando em dizer que quem usa drogas não está me fazendo mal algum e que "se não gosta, não use", coloque essa ervilha dentro do seu crânio para funcionar por três segundos e me diga: como os criminosos que mexem com drogas têm o poder que têm? Os mesmos que usam fuzis de guerra para matar pais de família, matar gente inocente por aí, com que dinheiro compraram as armas para cometer seus crimes? Pois é. Eu não gosto de drogados por isso, e muita gente não gosta pelo mesmo motivo, e por isso não gostamos desse Dante fumante.

"Ain, si fossi legalizadu, nhum haviria tráficu"

Tá bom. Só para constar, volta e meia alguém é preso na fronteira contrabandeando cigarros, que é uma coisa que você encontra facilmente em um mercadinho qualquer no seu bairro e é LEGALIZADO! Ou vocês acham que, caso fosse legalizada, o traficante não iria vender mais barato ou conseguir contato para vender na loja e lavar o dinheiro dele?
E esse Dante é anarquista sim. No final do jogo, Vergil comenta que eles deveriam reinar, porque os humanos precisam de proteção não apenas de ameaças externas mas deles mesmos. E isso é verdade. As pessoas precisam ser guiadas, tudo precisa ser guiado: pessoas, empresas, países. A ORDEM precisa existir, sem ela, só há caos. Dante queria que as pessoas fizessem o que bem quisessem. É como o que aquela Faith do Mirror's Edge fala sobre como era a cidade dela: "suja e perigosa, mas viva". Quer dizer, ela prefere a cidade cheia de bandidos, pelo menos era democrática. 
Pelo que sei sobre anarquismo, ele é praticamente a mesma coisa que o comunismo: quer uma sociedade igual em todas áreas, acabar com privatizações e vir com essa lenga-lenga de sempre de que tudo vai ser feito de acordo com as necessidades da sociedade, e todos viverão felizes para sempre em uma sociedade utópica. 
Os países por onde o comunismo passou, ou ainda está instalado, em sua maioria estão uma merda.
E os países anarquistas? Ah é, não existem.
 
 Enfim, deixa eu passar pro próximo motivo antes que eu fique nervoso e comece a sugar sangue de todo mundo.


Conceito de estória já meio manjado. 



Em uma cidade controlada por poderosos endinheirados, apenas uma alma tem consciência da verdade e luta sozinha contra o capitalismo opressor que controla as pessoas, viva a revolução!

Se não fosse pela presença de demônios, o Dante desse jogo podia muito bem ser um revolucionário leitor de Marx. Poxa, já vimos esse conceito várias vezes. Há filmes medievais por exemplo que têm isso, alguns tem uma trama bem elaborada que vai muito além de um tirano opressor, mas DmC ficou nesse ponto básico: um capitalista opressor ferra todo mundo e um revolucionário quer acabar com isso. Nisso vem outro ponto chato desse Dante: rebeldia contra o sistema. Que é outra coisa que muita gente meio que se cansou hoje em dia, pelo tanto de esquerdistas com esse discurso.
O Dante clássico era rebelde sim, mas ele demonstrava isso através da sua atitude cínica frente aos acontecimentos que o rodeavam, o pouco caso que fazia dos desafios, o desprezo aos demônios mais poderosos e sua disposição ao bom combate. A rebeldia do Dante, ao meu ver, parecia ser mais voltada aos golpes da própria vida. Alguém que perdeu a mãe e o irmão para os demônios ainda criança poderia ser alguém extremamente amargurado e cheio de rancor, mas ele ri, tira sarro e dá pouca importância às coisas ruins que vão lhe acontecendo. Porém, quando a situação pedia, Dante mostrava que era sim um cara maduro e que se importa de verdade com o bem dos outros (basta ver como ele se comoveu com o sofrimento da Lady e como ele diz que percebia o que era importante por causa dela. Talvez ela o fizesse lembrar da Nell Goldstein, como já ouvi dizerem). Na minha opinião, Dante seria do tipo que diria que faz limonada com os limões que ganha da vida hahahaha.

Agora o Dante do DmC mostra rebeldia enchendo a cara, pegando duas garotas ao mesmo tempo e atendendo a porta pelado (o que é bem ridículo e ele já estava sóbrio) e falando palavrão. Atitudes de pessoas vazias que buscam alguma coisa na bebida ou sexo. Tudo bem que todos falam palavrão, é normal, mas o Dante clássico conseguia ser rebelde sem soltar um único xingamento.
Aliás, um game criticando capitalismo é uma coisa bem hipócrita ao meu ver...



Design horroroso.

 

O design desse jogo foi bem feio. O Limbo é cheio de cores fortes, uma cidade infernal para mim deveria ser mais sombria e construída de maneira a causar medo. O Limbo nesse jogo parece simplesmente um mundo paralelo qualquer de qualquer jogo com mundos paralelos.
E o design do Dante...
Isso está ligado ao conceito de drogado que já mencionei. Não sei vocês, mas para mim é visível que as roupas dele são sujas, bem como o próprio. Pode até ser pelo gráfico do jogo, mas tanto o Dante quanto sua vestimenta parecem sujos. E o mais provável é que sejam assim mesmo, afinal o Dante aí é mostrado como alguém meio desleixado. Se fosse desgaste após um combate, legal, mas não.
E as cores também são estranhas. Desbotadas, opacas, olhando de longe, parece que o casaco e a calça são uma coisa só, parecem ter quase a mesma cor.
Cara desleixado, aparência de drogado, roupas sujas e ferradas. Não preciso me estender com isso.

E é importante ressaltar que isso é culpa da capcom. A Ninja Theory teria criado bons designs modernizados, por exemplo:
Poxa, olha o primeiro à esquerda. É o Nathan Drake do inferno, um cara com aparência de soldado. O do meio tá ok, e o último tem roupas bem legais, apesar do rosto meio diferente. Qualquer um desses é bem melhor que o que ficou no jogo, que foi pedido pela capcom ok? Acredito que se deixasse pela Ninja Theory, não teria saído uma coisa tão tosca.

E agora vem um caso que pode fazer um fã da série chorar: Sparda.
Só de olhar, você já vê a imponência. E quando começa o DMC 1, já vem uma introdução falando de como Sparda era o demônio mais poderoso e como ele criou um senso de justiça e se rebelou contra o inferno e o imperador Mundus.
SOZINHO!
Sparda sozinho derrotou todas as legiões infernais e o próprio imperador do inferno. Não há mais nada a comentar.


Palmas também para sua forma humana. Ele tem aspecto daqueles vampiros aristocráticos, ou de algum estudioso do sobrenatural, algo como Abraham Van Helsing + Drácula.

Agora o que DmC fez com o demônio mais poderoso?
O fez ser apenas um homem com chifres... Que foi capturado e está sendo torturado no inferno. Quando você se lembra do demônio de espírito virtuoso que derrotou o inferno sozinho, é de dar nojo.
Sem contar que o Mundus desse jogo nem de longe é poderoso como o original. Um vampiro criado na era moderna, sem praticamente traço algum do sangue de Caim já seria capaz de derrotá-lo...

Por fim, o motivo maior:


Fazer reboot de uma série que não tinha sido concluída e que não andava mal.

E é um reboot sim. Ainda tem gente que acha que é um prequel, mas não. É um reboot desnecessário. Por que desnecessário? Porque a bendita capcom achou que a série precisava ser modernizada para fazer mais sucesso, alcançar um público maior. Isso depois de 2 MILHÕES de unidades vendidas de Devil May Cry 4 só no primeiro mês!!!! Qual era a necessidade de fazer essa porcaria???
E deu no que deu: o reboot vendeu bem menos. Devil May Cry 4 Special Edition ainda vendeu mais que o reboot, para vocês terem uma ideia. Ajudou a aumentar bastante o bolso da capcom.
Digam o que quiserem, mas não havia razões plausíveis para esse reboot. 2 milhões de unidades nem de longe é algo insignificante. A série se mantém de pé com facilidade, graças aos fãs leais conquistados por DMC 3 e 4, prova disso foi o sucesso do DMC4: SE.

E mesmo com tudo isso, o principal argumento de quem gostou do reboot contra os críticos é "ain tudo isso só porque o cabelo dele não tá branco".
Quem sabe agora, com DMC 5 a capcom tenha aprendido a respeitar mais os fãs.

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